Escrito pelo americano Charlie Kauffman e pelo francês Michel Gondry, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de 2004 e dirigido pelo mesmo Gondry, é uma pequena obra-prima sobre relacionamentos. Sem ser ridiculamente sentimental, o filme consegue falar sobre amor, afeto, afinidades, diferenças, planos e sonhos partidos de forma adulta. Mostra que sentimentos se transformam e que, muitas vezes, nos restam apenas as lembranças do que foi tudo aquilo um dia.Sempre condizente com a nossa realidade, a película conta a história de um casal que decide se separar após a evidente incompatibilidade entre ambos, após anos de convivência. De forma radical, Clementine Kruczynski (Kate Winslet) se submete a um processo que apaga de sua memória, todas as lembranças de Joel Barish (Jim Carrey), seu ex-namorado. Ao descobrir o fato, ele resolve fazer o mesmo, mas descobre que ainda a ama.
Excetuando a ficção da obra, acredito que todos nós já enfrentamos esta situação de desconforto que é a separação. Seja o fim de uma relação, de uma amizade ou a morte de um ente querido, você já deve ter imaginado como seria mais fácil seguir em frente, se fosse possível deletar todas as dores destas experiências, eu, pelo menos, já pensei nisso. Mas valeria a pena? Esta é uma das melhores questões que o filme aborda, pois conseguiríamos ser mais fortes, se não fossem os nossos erros e sofrimentos?
Alem das ótimas interpretações de Jim Carrey (sim, suas atuações dramáticas sempre superam o careteiro comediante) e Kate Winslet, o elenco conta ainda com Tom Wilkinson, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood. Apesar do elenco estelar, a produção tem uma postura independente, prezando a atuação e o roteiro, não se preocupando com os cofres do estúdio.
Quero agradecer a amiga e mentora Márcia Okida, que fez uma análise do cartaz em seu blog e me inspirou a escrever sobre este filme e o tema retratado por ele Mais uma vez, obrigado Márcia. Confira a análise aqui.
Aviso que não é um filme para todos os gostos, sua narrativa caleidoscópica pode incomodar as pessoas acostumadas com a simplicidade linear de Hollywood, sua montagem é proposital para fazer o espectador pensar. Para quem já assistiu, reveja, para quem não viu, assista. Recomendo!
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Curiosidade: Kauffman diz que a idéia para o filme surgiu de dois poemas. Um deles foi Eloisa to Abelard, de Alexander Pope (1688-1744), sobre o caso verídico de um teólogo de 38 anos com a pupila de 18.
"Feliz é o destino da inocente vestal
Esquecida pelo mundo que ela esqueceu
Brilho eterno da mente sem lembrança!".
O outro é uma frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900):
"Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos".
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Para quem não conhece os outros trabalhos de Kauffman, assista também Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002), igualmente ótimos.
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Gondry, além de dirigir vários vídeos para a islandesa Bjork e os ingleses do The Chemical Brothers, também fala sobre relacionamentos no filme Ciência do Sono, com Gael García Bernal. Seu estilo pessoal e os efeitos mirabolantes valem a sessão.
1 comentários:
André, parabéns pelo blog. Adorei!
Falou tudo e mais um pouco sobre o filme, hein?! Numa conversa de bar, dia desses, estávamos discutindo Brilho Eterno... O filme que me fez refletir durante uma semana. O filme que deixa as mentes inquietas, que toca nas nossas feridas. Preciso assistí-lo pela enésima vez. Acho que farei isto hoje!
Em tempo: não foi o Kauffman quem fez o roteiro de Natureza Quase Humana, com o Tim Robins? Aliás, um filme muito bom também!
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