"A correria da batalha é um vício potente e muitas vezes letal, para a guerra é uma droga". A citação extraída do livro War is a Force that Gives Us Meaning, do jornalista Chris Hedges (New York Times), está na abertura de Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2009) e reflete perfeitamente a atmosfera do longa-metragem mais premiado na edição do Oscar 2010.
Na premissa, acompanhamos o dia-a-dia de um esquadrão antibombas em ação em Bagdá. O sargento James (Jeremy Renner) é integrado à companhia Bravo para desarmar as bombas deixadas em áreas civis, restando apenas 38 dias para ser dispensado. Sua conduta durante as operações gera conflitos com o sargento Sanborn (Anthony Mackie), que discorda dos seus métodos, por considerar que arriscam demais o trabalho em equipe. O elenco ainda conta com as participações de Guy Pearce e Ralph Fiennes.
A diretora Kathryn Bigelow realizou um belo trabalho ao fugir dos clichês do gênero. Ao explorar a perspectiva em primeira pessoa, a cineasta consegue transportar o espectador para aquele espaço geográfico aonde se encontram os explosivos. Sem ser sensacionalista e nem panfletária, soube questionar o absurdo da guerra de forma contundente. A narrativa não convencional mostra situações isoladas vividas pelo grupo de soldados, sem envolver política ou religião, nos situando apenas na contagem regressiva na volta para a casa.
Ao colocar o esquadrão antibomba sob a lente de aumento, o suspense permanece constante até o final. Para o sargento James, o uniforme de proteção utilizado para as operações de campo funciona como um verdadeiro armário da dor, onde também estão sua dignidade e sua identidade. Uma bela metáfora utilizada no título original.
The Hurt LockerEUA, 2008 - 131 min
Drama / Guerra
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly
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