
No ano de 2154, após consumir todas as riquezas e recursos do ecossistema do planeta Terra, os seres humanos são guiados pela sua ganância até o distante planeta Pandora, rico em fauna e flora e detentora da valiosa fonte de energia conhecida como
unobtanium. A raça nativa
Na 'Vi e sua cultura são ameaçadas pela expansão terráquea. Jake Sully, um fuzileiro naval paraplégico, é introduzido neste cenário para auxiliar uma equipe de cientistas, responsáveis pela criação de avatares: a projeção de um corpo Na 'Vi controlado a distância para que ele possa ser integrado à cultura local. Ante o inevitável conflito, Jake precisa escolher qual lado irá defender.

A novo longa metragem do diretor
James Cameron nem precisava da apresentação acima devido a tudo o que já foi escrito, falado ou ouvido por você até aqui. Tudo relacionado a
Avatar (
Avatar, 2009), desde ao tempo dedicado à criação do filme (quase uma década) aos astronômicos custos de produção e sua milionária bilheteria, é superlativo. Todo o barulho feito pelo
marketing e os próprios méritos do filme exigem que você assista a versão 3D, todos os mínimos detalhes do mundo criado por Cameron literalmente saltam aos olhos. Em duas dimensões nem pensar.

Em suas 2 horas e quarenta minutos de projeção, o diretor consegue harmonizar muito bem o drama, as cenas de ação e os efeitos visuais. Como esperado, o item mais frágil desta trindade é o roteiro, você não precisa ser expert em cinema para descobrir as similaridades com a história de Pocahontas e suas personagens. Apenas um pouco mais de sessenta minutos bastariam para contar a trama e seu desfecho. Mesmo com a tela repleta de elementos e personagens, não acontece aquela confusão visual vista em outras produções do gênero.

As boas atuações de
Sigourney Weaver (
Dra. Grace) e
Sam Worthington (
Jake Sully) ganham um destaque maior se considerarmos que quase tudo o que vemos na tela é digital. É através da guerreira
Neytiri (
Zoe Saldana) que acompanhamos a viagem pela cultura Na 'Vi e descobrimos o suntuoso mundo criado pelo cineasta. A impressão é que a fauna e flora vista na tela existem de verdade, a interação entre o povo nativo e seu habitat é perfeitamente natural, não é perceptível aos olhos na primeira sessão distinguir o que é real e o que é digital. Mesmo com seu "avatar digital" em cena,
Zoe Saldana consegue realçar seu trabalho como atriz.

As produções recentes no universo 3D, como
Os Fantasmas de Scrooge (
A Christmas Carol, 2009) do talentoso
Robert Zemekis, ficam automaticamente obsoletas se comparadas com a tecnologia desenvolvida para o filme. Impressiona ainda mais perceber que o longa levou muitos anos para ser realizado, e mesmo assim ainda consegue ser tão inovador. Começou uma nova era para os conceitos visuais utilizados em
Hollywood.

Os bastidores sobre produção de
Avatar, somados ao marketing e a ótima experiência 3D levada as salas de cinema o tornam um evento imperdível, mas não um filme melhor. Para os padrões de entretenimento oferecidos hoje em dia nos cinemas ele se encontra acima da média, mas continua sendo apenas um bom filme, nada que justifique prêmios como o melhor do ano. Diversão garantida.
Avatar EUA, 2009 - 162 min
Ação / Ficção científica
Direção:
James Cameron Roteiro:
James CameronElenco:
Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi